sábado, 12 de setembro de 2015

Puerto Iguazu Argentina Setembro 2015


Eu , esposo e filho de dois anos, juntamente com um casal de amigos e seus dois filhos, um com 10 e outro com 5 fomos para foz de Iguaçu e ficamos hospedados por 2 noites em Puerto Iguazu – Argentina. A maioria dos brasileiros vai lá só pra passear ou jantar, por isto resolvemos conhecer o lado de lá.

Transporte do aeroporto
Pagamos 100 reais pela corrida, do aeroporto a Puerto Iguazu. Cada casal teve que pegar um carro diferente. Isto aconteceu porque não conhecíamos seu Julio, um taxista maravilhoso que levava todo mundo em sua doblo, sem cobrar por pessoa. Na parte de transporte falaremos dele.

Puerto
A cidade é bem pequena, mas bem arborizada. Tem vários restaurantes e lojinhas com muitos estrangeiros, gente de todo o mundo. Tem aquele clima de Arraial Dajuda, mas falta o charme praiano, é claro.

Hotel
 Ficamos no hotel La Sorgente , http://www.lasorgentehotel.com/ tipo pousada, bem arborizado e jardinado,  cheio de orquídeas e outras flores que deixavam o local perfumado e agradável. A piscina era grande, porém sem aquecimento. Nossas crianças eram as únicas no hotel, que parecia hospedar mais adultos e casais.
Os quartos eram simples, mas limpos e com camas bem confortáveis. No quarto duplo tinha 2 camas de casais e no triplo duas de casal e uma de solteiro, perfeito pra quem viaja em família. O ponto negativo era o banheiro, que além de pequeno parecia ser bem antigo e um chuveiro que pouco aquecia.
O pagamento é feito na entrada em espécie. Não se aceita cartão. Se a reserva for feita em dólar, melhor pagar nesta moeda porque eles metem a faca na hora de converter para o real. Paguei mais ou menos 70 dolares pela diária que saiu quase 300 reais.

Dinheiro, cambio e taxi
Evite sacar dinheiro do lado Argentino.  A gente cai a ficha que está em outro país quando tenta encontrar banco 24 horas ou  do Brasil e dá com os burros n'agua. Melhor retirar real mesmo, no aeroporto e trocar por pesos em Puerto Iguazu.
Do lado argentino, o pagamento com refeição e hotéis estava mais em conta quando pago em pesos. NO Brasil o cambio estava pior que na argentina, uma média  de 3,50 pesos por 1 real. O melhor cambio que conseguimos foi com os comerciantes locais que trocavam 1 real por 4 pesos. Você pode perguntar nas lojas que vendem lembrancinhas de Puerto Iguazu ou com os taxistas. O motivo é que as compras no Brasil saem mais barato para os argentinos, por isto preferem o real.

Quem nos deu esta dica foi o taxista, seu Julio. Na verdade ele foi uma das surpresas da viagem. Imagina uma pessoa honesta, boa pra negociar, que dava todas as dicas do local, comprava nossos reais e ainda por cima era super bem humorado. Falamos que ele era o único argentino legal e ele nem se ofendeu. Disse que a má fama vinha dos portenhos, ou seja, dos moradores de Buenos Aires que eram metidos mesmo. Seu Julio fez um negócio de pai pra gente. Levava-nos pra tudo que era lugar, todos os 4 adultos e as três crianças, fazendo o preço de uma corrida só, já que tinha doblô , sem esse negócio de cobrar por pessoa. Por exemplo, nos levou para as cataratas Argentinas, ida e volta por 500 pesos, ou seja, 150 reais. De ônibus seria 50 pra ir e 50 pra voltar por pessoa!  Ele foi o melhor taxista que já encontrei! O contato dele é +54 9 375767-0451 ( whats up) ou email julio_c_alvez@hotmail.com

Restaurantes
Quem gosta de comer bem, Puerto Iguazu é o seu lugar. O bom é que todos os restaurantes já  incluem couvert , pão , pastas e manteiga, a maioria feita no próprio local. Fomos no restaurante Acqua, que servia uns Paes maravilhosos, mas a comida era muito pouca e nada de fenomenal. Agora , comer bem mesmo é no restaurante do hotel, o La Toscana, serve jantar a partir das 19 hs. As massas são feitas no local e os Paes também, uma delicia, muito bem servido. Pedi um T-bone com risoto de funghi. Divino! Tinha um risoto de aspargos que era uma coisa de louco! Pagamos com bebida, eu e meu esposo, uma média de 150 reais. De sobremesa, pedimos só por curiosidade uma mousse de maracujá que mais parecia um tiramissu sem café! Um mix de comida italiana com requinte Frances. Vale super a pena conferir. http://lasorgentehotel.com/br/restaurante.html

Só lembrando, pague em peso, se quiser economizar!

Compras
Sempre gostamos de ir aos supermercados, comprar doce de leite, biscoitos, pães, geleias e vinhos. Tem uma marca de doce de leite chamada Sancor, muito boa e pouco doce. Nossas amigos compraram vinho metade do preço mais barato que no Brasil. Além dos mercados , há umas casas de vinho pela cidade. Também, vale a pena ir na feirinha, comprar doce de leite caseiro caseiro, azeite e azeitonas temperadas e recheadas. O azeite de lá é uma delicia, compramos 2 litros e meio por 35 reais. A azeitona temperada , no azeite, custa mais ou menos 20 reais. O doce de leite caseiro ficou por 10.

Passeios

Foz do Iguazu
Fomos no parque Iguazu e fica difícil saber qual local é mais bonito. Se o lado brasileiro ou o deles. Na verdade são vistas diferentes. O lado argentino custa 200 pesos, se for pagar em real vai sair quase 70 reais.  Na verdade, é preciso conhecer os dois lados , pois ambos são belíssimos. E , então, cada um tira sua conclusão. Pra mim são locais complementares.
Meu filho amou andar de trenzinho, fazer as trilhas, ver os quatis e  as cachoeiras. Levamos o carrinho e deu pra percorrer as trilhas sem problema.


Paraguai
Passear no Paraguai não é local para criança pequena. Andei muito pouco. Na maioria das lojas o cambio estava 1 dolar valendo 3.9 reais. Aquele shopping Monalisa é um roubo. Minha amiga foi na SAX e gostou porque estava 2.9 reais pra um dólar, de promoção.

O Paraguai estava muito diferente do que vi há 2 anos atrás. Lojas muito vazias e muita gente na rua tentando vender coisas pra gente, quase que implorando. Da muita pena ver que a queda de nossa economia afeta negativamente a vida de nossos hermanos paraguaios.

Duty Free
O duty free da argentina é um assalto, em especial se for comprar em real. Mas , Se for em peso, vai ter um desconto de 30%. Por exemplo, comprei um saleiro em peso que saiu 30 reais, mas se fosse converter em real sairia bem mais caro, porque estão cobrando quase 4 reais por dólar. Meus amigos que compraram perfume e outras coisas disseram preferir o valor do Paraguai que está bem mais em conta que o duty free.

 Temporal
Cuidado com os temporais. No dia que jantamos no La Toscana, que fica no hotel, caiu uma chuva de pedras , que devia se aproximar pelo menos um pouco de uma das pragas do Egito. Por uma bençao de Deus deixamos de ser apedrejados, já que a intenção era ir na feira de noite. O restaurante começou a ser alagado, mas ainda bem que a chuva parou. No outro dia só ouvimos as noticias do estrago: gente machucada, carros amassados e vidros quebrados e muitas casas com os telhados destruídos.  

Resumo da viagem

No geral, a viagem foi maravilhosa. Agradecemos primeiro a Deus  que nos deu o previlegio de poder passear. Depois, aos amigos que foram conosco, Poliana e Genesio , juntamente com seus dois filhos, Hugo e Benício, super tranquilos, agradáveis e carinhosos conosco e com o pequeno.

Esperamos voltar!!!








domingo, 14 de setembro de 2014

Amizades perigosas

Gente, eu deveria ter postado isto há muito tempo! Fico enrolando e esqueço que devemos registrar aqueles acontecimentos que nos transformam , mudam nosso ser e forma de pensar! Um amigo meu, que narrou suas aventuras na rota 66, me fez lembrar da importancia disto! Espero que gostem desta experiencia de muita amizade!



Amizades perigosas

Todos os dias são mostradas na TV inúmeras notícias de pessoas que se deram muito mal por confiar demais em outras. Dentre os pecados capitais de quem é “passado a perna”, nada mais condenável, neste violento século, que convidar estranhos para dentro da sua casa. Isso é quase uma cilada, como bem traduz o comediante Bruno Mazzeo. Entretanto, como às vezes o impensável acontece e certezas existem para ser quebradas, em especial as ditadas pela mídia, registro uma experiência do tipo “relações perigosas” que proporcionaram um dos melhores momentos de nossas vidas.
Hospedando estranhos
No início do ano de 2003, eu e meu esposo viajamos para Caraívas, uma praia da Bahia de difícil acesso. Você gasta quase três horas para rodar menos que 100 km em um ônibus que não pára de pular, devido à buraqueira. Dentro do “baú”, notei um casalzinho com jeito de alemães que pelo visto não falavam nada de português. Fazendo um parênteses, sobre minha personalidade, sem modéstia, eu acho que daria uma ótima ministra de turismo. Quando vejo estrangeiros na mesma situação, fico matutando , pensando se eles já têm hotel, se sabem o que comer, onde ir, etc. De fato me preocupo  e fico arrasada que o Brasil tenha tantas belezas, mas seja tão mal explorado e cuidado, sem se preocupar com o intercambio cultural e é claro, com os dólares, euros e libras, que essa galera poderia investir aqui. Assim, nesta mais pura intenção, talvez maculada apenas pelo interesse de falar inglês e conhecer mais sobre o outro lado do atlântico, logo na descida do ônibus já fui toda oferecida, perguntar se eles precisavam de ajuda para encontrar hotel.  Este foi o primeiro passo para engatarmos uma gostosa amizade de verão.
 Encontramo-nos depois na praia. Combinamos jantares, fizemos caminhadas radicais para a paria do espelho, meu esposo os ensinou jogar truco, descemos de bóia no rio, enfim, nos divertimos a valer. Falei igual uma tagarela, ainda mais quando fiquei sabendo que eram de Londres, a cidade que mais queria conhecer. Aquele casal simpático estava vivendo uma aventura. Viajariam por mais ou menos um ano por toda America do Sul e estavam apenas no meio do trajeto. De acordo com alguns brasileiros que haviam passado na Europa apenas de excursão, essa ação era feita por pessoas que não se preocupavam com dinheiro, pobres que aproveitavam o cambio baixo e viviam apenas com o necessário, uma cultura bem diferente da classe média brasileira. Achei que o que diziam alguns brasileiros tinha sentido, em especial pelas simples acomodações que eles ficavam.
Na despedida, já que ainda tinham um logo caminho a seguir, oferecemos hospedagem no nosso pequeno apartamento de dois quartos, situado em uma cidade satélite, “muito interessante” da capital Federal.  “Se eles ficam nesses quartos tão simples, não vão se importar em dormir no nosso apertado apartamento mesmo que seja no colchão”. Pensamos. Sem grandes entusiasmos, como os britânicos mesmo dizem “with no fuzz” aceitaram o convite.
Confesso que duvidei se de fato viriam, mas após o carnaval, fizeram contato, de forma muito educada, dizendo que gostariam de ir à Brasília, mas que poderiam ficar mesmo em um hotel caso fosse problema para nós. Tinham intenção de ficar nada mais que cinco noites, como mesmo havia dito que seria conveniente para nós. Confirmamos o convite, lembrando apenas que o apartamento era de fato pequeno e que disporíamos apenas de um colchão, mas que seriam muito bem vindos.
Antes de contar como foi, queria falar como de fato era nosso apartamento. Pensa em um quadrado, do tipo, dá um pulo e cai no banheiro, dá outro e cai na cozinha. Na época nem sequer pensei em não convidá-los por essa questão. Tanto eu como meu esposo somos de famílias simples, daquelas que iam para a casa do tio que morava na praia, à meia hora de distância do mar, e que dormiam todo mundo amontoada em colchão, sofá, etc. Pelo que conheço da minha cultura mesmo, o brasileiro mesmo, simples, divide o pão, mesmo que seja pouco.
Esse é o bom lado, mas como uma boa brasileira, que não se ateve à exceção, atrasamos uns 15 minutos para pegá-los no aeroporto. Imagina a cena. Você é convidado para ir à casa de um povo que literalmente “nunca viu mais preto”, chega no aeroporto e não tem ninguém lá! Deve dar um vazio na barriga. Fiquei até com vergonha quando os vi com um ar meio assustado, ansioso, olhando para todos os lados. Graças â Deus éramos nós mesmos! Não conseguiram disfarçar a alegria de nos ver e pela primeira vez vi o entusiasmo apareceu um pouquinho, de verdade.
 Apesar de o local ser como descrito, para nossa alegria, eles pareciam felizes em estar lá. Tinha uma internet no quarto deles, que era meu escritório, lenta, que eu inclusive tinha que dividir com eles, mas pelo menos funcionava. Tv a cabo com direito a friends e tudo, mas calma! Era na sala, pra todos. Meu esposo o levou para jogar bola no serviço e eu, claro, fui com ela ao shopping. Fomos ao cinema, barzinho, etc. Ainda conseguimos sair com alguns amigos brasileiros para dançar, mas a maioria não falava inglês, o que diminuía o interesse do lado de cá.
Parece que gostaram porque alguns meses depois , quando estavam em Natal, de volta da Argentina e Peru, convidei-os novamente e, para minha surpresa, aceitaram. Esse último sentimento não era em decorrência do velho ditado “passa lá em casa”, sem querer que a pessoa de fato vá, mas pela idéia de que eles estavam usufruindo de tantos lugares legais e interessantes e mesmo assim pegariam um ônibus para ir à Brasília, ficar naquele apartamento apertado! Confesso que a estima foi lá em cima. Pelo visto devíamos até ser legais. Acho que sentiam falta de um lugar seguro, de relacionar com pessoas da terra, sei lá.
Penso que os coloquei em alguns apuros. Um dia acho que os assustei, mas sem querer. Estávamos à mesa e eu disse, em inglês, que tinha uma proposta indecente para fazer. Brasileiro sabe que isso quer dizer, mais ou menos, “Eu tenho uma coisa de índio para você, mas usei o mesmo verbo em inglês. Acho que deve ter soado como se fosse algo mesmo indecoroso, tipo ménage au truis, porque ele ficou todo sério, com ar grave!!! Aí, ao perceber o erro de comunicação, já fui logo os tranqüilizando , falando que era apenas se poderiam ir um dia comigo à minha escola, treinar conversação com meus alunos. Em outro momento, os levei para ir ao jogo do Gama, um time local, com direito a aulas de civilidade e tudo ao presenciarem os torcedores despirem os jogadores, em pleno campo. Outro dia fomos a uma danceteria e pedimos ao DJ para chamá-los para a pista, o que de fato fizeram.
Fora os vexames, até cômicos, pelo menos para nós, tivemos muitos momentos agradáveis. As peladas no horário do almoço em companhia do meu esposo continuaram e, enquanto isso eu e a menina ficávamos tomando sol e conversando. De “groja”, minha mãe também preparou uma feijoada daquelas. Os levamos ainda em alguns lugares tops de Brasilia, tipo Libanus e Beer Fass. Tentamos levar até na igreja, mas não se interessaram muito.
Era muito bem estar com eles porque eram de fato pessoas interessantes, discretos e reservados até por demais. Porém, como qualquer ser humano, não tem reserva que resista a um bom papo, regado a um chopinho para animar. Aí a gente começa, a saber, dos podres, tipo gente sendo presa por fazer xixi na rua, em Picaddily Circus. Mas este é apenas um detalhe. O que ficou mesmo foi entender que eram pessoas como a gente, porem com filosofias de vida diferente, que de fato acrescentem pelo sentido que representam. Com eles aprendi uma coisa que até hoje levo comigo: Se tem que fazer algo, faça agora, pois depois pode ser tarde. Assim era a realidade deles. O trabalho estável, as carreiras profissionais eram delegadas para depois. Antes que as amarras se consolidassem, importava conhecer o mundo quando ainda se era jovem com força, saúde, física e mental para apreciar e viver tal aventura.
Antes de ir embora, o nosso amigo disse que quando quiséssemos ir a Londres era só comprar a passagem que nos receberia. Contei isso a alguns conhecidos que,  bem céticos, disseram que os estrangeiros eram sempre assim. Ofereciam mundos e fundos quando estavam aqui, no Brasil, mas tão logo chegavam no país de origem, tratavam os brasileiros com desprezo. Ainda mais inglês, que eram conhecidos pela arrogância e pelo nariz empinado. Essa afirmação não me fez estremecer, mais pela mesquinharia de alguns dos meus, afinal, jamais viajaria confiando totalmente em alguém e também a amizade e o tempo passado junto com aquele pessoal era mais importante que qualquer coisa.
Mais de quatro anos se passaram. Neste ínterim, se trocamos cinco e-mails foram muitos. Todos muito breves. Como sempre eu escrevia muito e eles pouco, quando retornavam e quase sempre era o nosso amigo, pensei que o relacionamento ia ficar apenas nas memórias de Brasília mesmo. Entretanto, ter conhecido aquelas pessoas , com aquele estilo de vida, trouxe em mim um impacto, como que uma inquietude no coração no sentido de soltar um pouco as amarras e começar a viver o que de fato sempre acreditei: um dia de cada vez. Por que a gente acha normal juntar dinheiro para ter casa, pagar prestações altas para se andar em um bom carro, mas vê viagens internacionais como artigo de luxo. Percebi que meu carro, apartamento, emprego eram mais interessantes quando gozados na companhia de pessoas interessantes, que tinham haver conosco. Assim, muitos de meus valores começaram a ser substituídos, no sentido de como gastar meu dinheiro e em que de fato importava investir.
Dessa feita, comecei a pressionar meu esposo, mineiro convicto, para realizar o sonho de ir à Europa. Após diversas recusas de sua parte, radicalizei dizendo que iria com uma amiga e, para evitar injustiças, inclusive depositaria o mesmo valor gasto com a passagem em sua conta. Nestas horas é bom trabalhar. Após pensar ele chegou a conclusão que não seria justo ficar aqui trabalhando enquanto eu me divertia em Londres. Assim, como mesmo prometemos, desde o início, juntos fomos.
Era um sonho que se tornava realidade. Comecei a pesquisar na internet, procurando albergues porque Londres é caro mesmo! Por fim, na semana de comprar a passagem, mandei o e-mail para meu amigo avisando que iríamos para Londres e que estávamos procurando um hostel caso não pudesse nos hospedar e que gostaríamos de nos encontrar com eles. Demorou uns três dias para vir a resposta. Eu, ansiosa que só, já estava meio que chateada, pelo menos por não ter tido resposta. Só que a retorno que tive foi bem diferente do esperado.
Culminância
Pra contar o que aconteceu preciso fazer uma alusão ao que é graça, virtude esta tão difundida no cristianismo. Eu já tinha uma noção do que era isto, mas confesso que nunca tinha entendido o real sentido na minha vida quando dispensado por outras pessoas. Graça é receber o que não se pode pagar, ou seja, um favor não merecido, que jamais poderá ser retribuído, pelo menos não em gênero , numero e especialmente grau. Acredito que Deus a todo tempo e a todo o momento nos dá amostra disso, mas confesso que essa experiência, da forma que aconteceu, foi um jeito muito especial de Deus me ensinar , e de mostrar que os seres humanos refletem seu amor, dedicar seu amor e me mostrar como os seres humanos valem à pena. Normalmente a gente recebe graça, ou seja, coisas que não trabalhamos por elas ou merecemos nas pequenas coisas: na chuva, naquele trabalho que conseguimos sem nos esforçar tanto, em um sorteio ou premio, etc. Mas receber graça que não é comum a todos, principalmente quando envolve dinheiro e dos outros é uma experiência bem libertadora mesmo. Acredito que Deus a todo tempo e a todo o momento nos dá amostra disso, mas confesso que essa experiência, da forma que aconteceu, falou muito alto por envolver pessoas tão distantes, foi um jeito muito especial de Deus dedicar seu amor e me mostrar como os seres humanos valem à pena. Também de que as maiores demonstrações de gratidão e generosidade verdadeira, ou seja, aquela que não espera nada em troca podem vir por meio das pessoas que menos esperamos. Mas vamos deixar as aulas de virtudes acompanharem os fatos narrados. 
Nosso amigo retornou o e-mail determinando incisivamente que ficaríamos hospedados em sua casa. Os breves e-mail agora se estenderam, na hora certa. Pediu informações sobre a data de chegada, partida e o que gostaríamos de fazer em Londres a fim de se organizar. Ao lhe relatar que queria conhecer a Irlanda disse que não precisaríamos de nos preocupar com hotel porque ficaríamos na casa de um de seus amigos em Dublin. Pra garantir, comprou a passagem, enviando-me um ticket eletrônico, sem pedir nenhuma garantia de pagamento. Ainda, perguntou se tínhamos interesse em conhecer o seu filho, na Suécia, já que infelizmente findara o relacionamento com a moça que estivera em nossa casa. Para que não tivéssemos problema na imigração, enviou carta de recomendação e cópia do seu passaporte pessoal.
            Aterrissamos em Londres no mês de março. Após a eventual sabatina da imigração, lá estava nosso amigo, sem atrasar um minutinho, nos esperando, juntamente com sua nova companheira, uma inglesa muito simpática. Nem sequer imaginávamos o que nos esperava, ou quais seriam nossos aposentos. O friozinho na barriga ia crescendo, mas já nos sentíamos mais relaxados.
            Enfim, chegamos a um bairro inglês chamado Chiswick, onde ficava o flat de nosso amigo. Entramos e nos deparamos com um apartamento muito confortável, espaçoso, com três quartos, com cozinha e salas conjugadas. Nosso quarto era também grande e confortável, com uma cama de verdade nos fez sentir super relaxados e muito bem hospedados. De fato não era o que esperávamos.
Observando a mobília comecei a abstrair algumas lições. Ali não se via ostentação, mas apenas o necessário, apesar de um apartamento daquele valer mais do que casas nos bairros mais nobres de Brasilia. Um sofá, uma cozinha bem montada, já com máquina de lavar e secadora. O banheiro com uma banheira que usei até cansar, enfim, o necessário porém com um toque de requinte e bom gosto, sem abrir mão da comodidade, prazer e principalmente da praticidade. O único objeto que poderia nominar como supérfluo, decorativo, era um enorme globo terrestre, todo em pedra, impetuoso e em total concordância com o estilo de vida de nosso amigo anfitrião. Confesso que até hoje desejo comprar um daqueles! Observei as camas, que eram cobertas apenas com um delicioso “edredom”. Nada daqueles lençóis como vemos em hotel e nas casas chiques do Brasil. O piso era todo flutuante de madeira. A praticidade que vivenciamos me faz pensar no obvio: eram assim porque eram limpas por eles.  A Inglaterra foi um dos primeiros países a se posicionar veemente contra a escravidão, que não aconteciam nas terras inglesas, mas nas colônias indianas e africanas. Comecei a pensar nas empregadas brasileiras, inclusive na minha , que trabalhava a semana interia para ganhar um salário mínimo. Senti um pouco de vergonha, mas uma forte convicção que as coisas iam voltar quando voltasse.
            Como chegamos de noite fomos jantar em um restaurante nas proximidades, bem eclético, estilo indiano. Fomos caminhando, sem medo de ser feliz, passando por parques, igrejinhas e outras novidades. Nem vimos onde estava a conta, porque nosso amigo já pagara. No outro dia, tinha um café da manha inglês nos esperando na mesa: lingüiça, feijão doce, bacon, ovos e torrada. Nosso amigo já foi lembrando: esqueça as frutas, o pão e o presunto, porque hoje vocês terão um café inglês. Comemos de bom grado, mas minha barriguinha já estava reclamando, devido o fato das novas iguarias serem um tanto exóticos. Após o desjejum, fomos ao jardim Kew Gardens, percorrendo grande parte do trajeto pelo Tamisa,  onde novamente não nos deixaram pagar nem pelo bolo. De tarde não tínhamos ânimo para almoçar, então descansamos e esperamos o horário para sairmos á noite.
            É engraçado como os mitos sobre estrangeiros vão sendo quebrados. Muita gente sai de sua terra de origem para morar nesses países, mas creio que sem se misturar com as pessoas que de fato são nativas. Digo isso pelas conversas que já ouvi na minha terra sobre estrangeiros, em especial, ingleses. Dizem que são frios e que não são muito calorosos com a família e amigos. Para ter certeza se esses boatos existem pela convivência ou por uma impressão não sei, mas o que presenciamos foi bem diferente. Para começar, recebemos muitas visitas. Amigos que apareciam sem hora marcada, apenas para nos conhecer. Conheci a mãe da sua noiva, uma senhora muito bonita e simpática que nos levou presente e tudo. A mãe do meu amigo também ligou preocupada se tínhamos roupa para agüentar o frio. Na noite de sábado, dia que iríamos sair, meu amigo chamou seus dois irmãos: um rapaz e uma garota. A garota nos encontrou no flat e de fato era muito simpática e comunicativa. De metro mesmo, nos dirigimos para o centro da cidade, perto de Picaddily Circus para um restaurante turco chamado Osa. Pouco tempo depois, chega seu irmão, um rapaz também muito bonito e educado. O jantar foi regado a vinho, bacalhau fresco que por sinal nunca havia comido e muita muita conversa , por sinal bem humorada também. Sei que não preciso falar, mas jantar fora em Londres é muito, muito caro. Bebida alcoólica muito mais ainda. Quatro pessoas comendo sanduiche e bebendo refri pagam pelo menos 200 reais, imagina aquele cardápio! Na hora do rachide, quem disse que nos deixaram pagar a conta de novo! Queria ajudar pelo menos com 40 libras, mas fomos impedidos por todos veemente. Fiquei sem jeito. Afinal, quando saíamos no Brasil, até pipoca de cinema dividimos. Ai, que vergonha.
Depois do jantar, o que aconteceu foi bem brasileiro mesmo. O carro do irmão do meu amigo não cabia todo mundo e eles ainda queriam nos levar em um local bem especial para termos uma vista de Londres. Aí foi todo mundo se empilhando e espremendo dentro do carro, gritando, gente abaixada no chão, outros no colo, uma loucura! Sem falar no medo de ser pego pela polícia, que lá, não alivia mesmo. Nesta realidade, saímos fazendo um tour e avistando coisas bem famosas da cidade, como o parlamento inglês e o impotente big bem! Tudo de bom!
Dirigimos-nos a um prédio chequerésimo chamado OXO tower restaurante. http://www.harveynichols.com/output/Page128.asp. Fica às margens do Rio Tamisa. Na verdade é uma torre enorme, com vários prédios, tendo na sua torre, um restaurante e brasserie, muito requintado, de onde você pode ter uma vista fantástica de Londres. O irmão do meu amigo falou com o vigia e ele nos permitiu subir, apesar do horário. A noiva do meu amigo ficou um pouquinho embaraçado porque o negocio era chique mesmo e estávamos todos simples, de tênis mesmo, mas mesmo assim subiu sem maiores reservas. Como eu estava de passagem tudo era lucro mesmo. O local parecia cenário de cinema! Gente muito, muito chique, usando roupas de grifes muito famosas. Não que valorizamos isso, mas era engraçado perceber-se ali, coisa mesmo de cinema. Parecia que estávamos em um filme. A vista era fantástica. Dava para ver a catedral de São Pedro, galerias, entre outras maravilhas construídas por mãos humanas, um contraste entre o antigo e o que há de mais moderno na arquitetura mundial. No trajeto de volta, a irmã do meu amigo que confidenciou que quando fez 20 anos de idade, seu pai a levara lá naquela torre, naquele restaurante e lhe oferecera uma taxa de champanha, numa clara demonstração de como aquele local era único e especial, por muitas razões que não apenas o glamour.
Aproveitando o link, parece que família na Inglaterra é coisa séria. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer seus pais que moravam em um apartamento gigante, com elevador privativo e tudo. Ofereceram-nos um jantar, com uma salada deliciosa, com abacate que é objeto de luxo no reio unido, seguida por um delicioso carneiro, regado a vinho e com o típico chá inglês. Até hoje tenho em mente as palvras de seu pai, com aquele sutaque inglês estilo Anthony Hopkins falando: “ would you like a cup of tea. Gostariam de uma xícara de chá. Enquanto apreciávamos o jantar, podemos ver a beleza que é um pai e um filho conversando, coisa ausente em nossas famílias pessoais, seja pela morte, seja pelo costume. Ficamos observando aqueles dois, falando sobre amenidades, filmes, sobre o dia das mães, entre outras coisas mais. Onde estava a frieza inglesa tão difundida. Uma das conversas tidas era a surpresa de meu amigo, relatando a seu pai como estávamos amando o país, como estávamos sendo bem tratados inclusive no metro e em todos os locais que buscávamos informações. Parecia que até eles desconheciam o potencial de bondade sentidos por nós.  
Como disse, para eles família é coisa séria. Dias depois, rumávamos para a Suécia, onde conheceríamos seu filho que lá residia com a mãe. No aeroporto, como coisa que a gente só vê em novela, nosso amigo nos presenteou com a passagem que aceitamos de bom grado.
Cristo nos advertiu que ano julgássemos o próximo. Talvez porque temos uma tendência de olhar para as atitudes dos outros projetando nossos próprios sentimentos e realidade pessoais, em especial as ruins. Quando soube da separação de meu amigo, imaginei que talvez tivesse sido em decorrência do bebê que nascera devido seu espírito livre e viajante, já que uma criança podia de certa forma ser uma barreira ao estilo aventureiro. Nada podia ser mais contrario. O que vimos foi um pai apaixonado, que em semanas alternadas viajava à Suécia para visitar o filho, o qual amava de forma intensa. Nas nossas conversas nos confidenciou a dor que era deixar a criança, da necessidade de ajudar a ex parceira a estudar para que também tivesse mais condições de dar suporte ao filho e da sua própria mudança de rotina, já que também frequentava uma graduação a fim de melhorar o salário para poder dar um futuro melhor à criança. Fiquei pensando nas lições da vida, no que é ser pai, no que é ser mãe e que nem sempre os pais, ao se separarem das mães, esquecem os filhos. Na verdade, na minha cultura, ainda não presenciara amor paterno , no caso de uma relação que se findara, tão pungente , ditado por ações reais e concretas ao invés de palavras vazias. 
Os mimos não acabaram por aí. Nosso vôo para a Inglaterra partia as 6 hs da manha de modo que não havia transporte a fim de chegarmos tão cedo no aeroporto. Assim, nosso amigo nos colocou em um hotel, mesmo sobre os nossos protestos para que não dormíssemos no aeroporto. Ficamos em um hotel muito bonito, segundo ele o melhor de Gutenberg, de frente para a rodoviária de onde pegaríamos um ônibus muito cedo para o aeroporto. Dessa historia toda, ainda fomos para Dublin nos hospedando na casa de seus amigos. Voltamos, viajamos para outros lugares e confesso que, a idéia de ir embora, me fazia chorar, sempre.
No dia de irmos, combinamos que pegaríamos um taxi, já que a bagagem era muita mesmo. De forma alguma queria estar presente com eles , para que não viesse a fazer aquele drama, aquele chororô.  Por incrível que pareça, apesar de Londres ser tão cara, tínhamos comprado como nunca nas lojas de departamento que eram uma pechincha! Sem falar nos presentes, todos muito significativos, como o galheteiro a pilha, ofertado pela noiva de meu amigo, devido o fato de eu não saber como usá-lo nas primeiras refeições, o que causou nela um discreto sorriso.
Essa viagem me deixou com um ar de graça. Foram diversas as lições, em especial a quebra da pretensão. De certa forma, achava não existia cultura mais acolhedora que a minha. Tinha a pretensa idéia que sabia receber bem as pessoas. Na verdade me vi mesquinha, porque jamais me imaginei presenteando alguém com passagens, jantares, entre outras coisas.
O que mais me impressionou foi que meu amigo sabia que não poderíamos pagar, afinal conhecia nossa realidade bem de perto e mesmo assim, sem interesse nenhum, agiu de forma tão generosa. Até hoje nunca consegui retribuir. Confesso que mesmo que faça, saberei que assim o fiz porque já recebi. O que pude ver, pelas mãos de uma pessoa que dizia ter dificuldade de orar, foi exatamente o que Jesus ensinou: Quando der uma festa, convide os que não podem te retribuir porque assim será compensado no céu. Não sei se meu amigo tem consciência do impacto positivo que essa viagem causou em nós. Talvez nunca possa retribuir, mas a lição para as próximas pessoas, com certeza, foi aprendida.
Se você pensa que acabou, estamos agora fazendo as malas para ir à Grécia para o seu casamento e, de “groja”, fomos convidados a ficar uns dias, na sua casa,  em Londres . Quer um conselho, confie mais nos outros que em si mesmo. Alias, confie primeiro em Deus porque é Ele, por intermédio de seus ensinamentos, que nos incita a relacionar, confiar e entender que todos nos ansiamos por estas pequenas coisas.Até porque são estas coisas que aquecem nossa alma, nos dão esperança e alegria de viver.















quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Liverpool: Terra dos Beatles- 14 a 15 de setembro.





Devidamento orientados pela família que nos hospedava, saímos da estação Hampton as 7: 51 da manhã, descemos na de Vaxhall às 8:29, trocando a linha de trem para  a Victoria Line , chegando à estação Euston às 8: 52. Nosso trem para Liverpool saía às 10:07, de modo que tivemos bastante tempo para comer algo e ainda observar o movimento .
Viajamos pela companhia Virgin TRains (http://www.virgintrains.co.uk/) , pagando pelo trajeto, de ida e volta, 47 libras, por pessoa. Vale ressaltar que compramos tudo on-line, do Brasil mesmo, sem nenhuma complicação. Do trem, pudemos observar que a vegetação inglesa é bem rasteira, recortada por rios, romântica, bem estilo Jane Austen, daquele filme Amor e Preconceito. Por fim, chegamos em Liverpool as 12:15.

  Fui procurar informação sobre o hotel que ficaríamos e estava receosa de não entender o sotaque das pessoas do norte da Inglaterra. Pra minha surpresa, consegui compreender perfeitamente que nosso hotel, the Liner at Liverpool, ficava na esquina da estação, localizado no bairro mais famoso de Liverpool:  The Lime Street!



  Fizemos a reserva deste hotel (http://www.theliner.co.uk/) pela bancorbrás (www.bancorbras.com.br). Falando neste clube, uma dica importante: na minha opinião, a bancorbrás tem ótimo custo benefício para as grandes capitais nacionais, mas o mesmo não acontece para hotéis internacionais. Além do que pago mensalmente, como usuária especial, que é mais caro, ainda tive que pagar um suplemento de 47 Libras! Então, tenham cuidado na hora de reservar. Às vezes, vale a pena pagar por fora os hotéis internacionais e usar as diárias do clube em hotéis caros, no Brasil.
Ainda bem que o hotel era uma gracinha! Hiper confortável! Nosso quarto tinha banheira, cama king, bem gostosa e chaleira elétrica, com chá e café disponível. Aliás, o chá é um dos símbolos nacionais ingleses! Tínhamos uma vista para a cidade privilegiada! Não vou mentir: a experiência de ficar com amigos, em outro país, é maravilhosa! Mas, é muito bom ter um tempo só pra nós! 
Como passaríamos apenas uma noite, começamos a desbravar a cidade. Queríamos chegar no Museu dos Beatles e, neste trajeto, fomos conhecendo um pouco de Liverpool. Já na saída do hotel, nos deparamos com uns monumentos incríveis, em homenagem aos homens que “caíram” na segunda Guerra Mundial.
 
A cidade é da cor de tijolo aparente, meio alaranjada, mas muito bonita, com muito verde. O pessoal na rua é muito educado! Notamos uma grande concentração de pessoas idosas e até pensamos que não seria uma má idéia se aposentar e morar ali.
 
Finalmente, chegamos ao Museu dos Beatles, que ficava em um píer, com vários shoppings e restaurantes. Confesso que, por mais que gostasse dos 4 fabulosos, assim nomeados na entrada do museu,  estava com um pouco de preguiça e com dó de pagar o valor da entrada, que era 15 L por pessoa. Assim, ficamos apenas na entrada mesmo.


O píer era muito bonito, mas fazia frio, com um vento que aumentava a sensação térmica de gelo, o que desestimulava o passeio. Chegamos ainda perto do mar (não sei se era mar ou rio), mas logo demos meia volta e procuramos um local fechado, a fim de nos aquecer. Como planejávamos jantar, fizemos apenas um lanchinho.



Depois, começamos a rodar a cidade e, como de costume, nos deparamos nas lojas usuais: Primark e sports direct. Com relação a esta última, uma dica: dê uma passada na seção infanto-juvenil. Como os adolescentes de lá são muito altos, a gente acaba garimpando muita coisa bonita e barata. Por exemplo, compramos 2 agasalhos lindos, da Umbro e da Lions Dale, por 12 libras, cada. No Brasil, sairia por 90 reais, no mínimo. Além das compras usuais, uma novidade: achamos uma loja de “tudo por 1 libra”, que é um espetáculo!  Os produtos nem se comparam com os comprados nas de 1,99 no Brasil! Vai de utilidades para casa, alimentação, artigos pra cachorro, papelaria, livro, etc. Eu comprei tanta bujinganga: chocolate (em especial “Mars”! Parece um lolo gigante!), bolinha pra cachorro, bujinganga, adesivo de tirar espinha, etc... Nesta loja, até meu esposo, que detesta shopping, acabava passando a tarde comprando. Depois, a gente ficava com uma sensação meio que ruim, de consumista, aliviada, apenas, pelo fato de terem sido compras que custaram até três vezes mais barato que no Brasil!
Voltamos para o hotel, enrolamos um pouquinho e fomos jantar. A partir das indicações do site www.tripadviser.com, decidi pelo restaurante Puscha (http://www.puschka.co.uk ), que ficava na Rodney Street. 


 Fomos andando, já que ficava perto do hotel. O local era hiper moderno, contemporâneo. Chegamos antes das 6, para aproveitar o “early evening price” ( preço reduzido da tardinha) . O valor é de 19 l, por pessoa, para um Menu completo ( entrada, prato principal e sobremesa), mais uma taça de vinho. A comida estava boa, diferente, não chegou a ser extraordinária, mas gostosa e valeu pelo local, que não era turístico e podemos ver os nativos de Liverpool.  Pagamos 40 L, o casal. O preço foi um pouco salgado,mas como passaríamos apenas uma noite na cidade, queríamos aproveitar o melhor que ela pudesse nos oferecer. Enquanto estava jantando, fiquei pensando o quanto havia planejado ter ido aquele restaurante , em especial! Como sempre, agradecíamos à Deus, fazendo nossas orações com o coração cheio de alegria e reconhecimento.
No outro dia, levantamos cedo. Como estava ventando muito, nem fomos correr. O café da manhã, no hotel, foi muito bom, sem deixar nada a desejar. As frutas eram tipo em conserva, mas estavam deliciosas. Tinha umas laranjas esbranquiçadas, que já vinham cortadas: uma delicia. O cozinheiro fazia os ovos na hora e, como eles gostam de gema mole, pedimos um pouquinho mais bem passado! Os Paes ingleses são muito saborosos, sem falar nos bolos! Aproveitamos! A comilança foi tanta, que nem quisemos almoçar.
Depois, como de costume, rodamos a cidade, compramos mais! (Me senti fútil, mas era tão barato!), comemos comida japonesa e, já de noitinha, pegamos o trem de volta.
Chegamos em Hamptom- Londres , na casa de nossos amigos, hiper tarde. Como tínhamos a chave da casa, subimos para o nosso quarto de fininho, sem fazer barulho, pois todos dormiam. Ainda hoje, me emociono com este gesto do Aydan, de nos conceder uma cópia da chave de sua casa, com todos seus pertences, inclusive os mais preciosos, que eram esposa e filhos. Considero este gesto o “cúmulo da confiança”. Esta ação vale uma reflexão. Sei que é difícil abrir a porta para quem não conhecemos, mas quando alguém age assim conosco, contrariando o senso comum, somos obrigados a repensar nossas prioridades e o quanto somos apegados a coisas que não nos agregam valor algum, ao contrario, nos limitam em nossos relacionamentos. Sei que vivemos dias maus, mas a hospitalidade é um fruto do Espírito Santo. Tem gente no Brasil, inclusive da família, que come e bebe conosco, mas não nos confiam sequer uma casa de veraneio, na crença de nosso descuido! Não temos ressentimentos disto e jamais deixaremos de amar pessoa qualquer por nos negarem algo, porém não pude deixar de dormir com um sorriso nos lábios. Era bom saber que éramos vistos de forma diferente por pessoas que conviveram conosco por tão pouco tempo.  Aquela família, pela segunda vez, nos considerava como pessoas dignas, não só de confiança, mas de partilhar da intimidade deles. Este sentimento constrói e aumenta a estima da gente. Dá vontade de melhorar, ser e agir melhor, como pessoa, a fim de manter este crédito!
Acho que dormi com este sorriso nos lábios. Tanto pelo sentimento de calor humano quanto pela expectativa: daqui dois dias iríamos para Paris, onde passaríamos quatro noites! O Flavio, inocente, nem sabia que eu havia comprado dois ingressos para o show do U2, no Stade de France. Aguardem notícias de como foi!









quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PRESENTE DE CASAMENTO GREGO : LONDRES, LIVERPOOL, PARIS E CRETA.

Tudo a partir de um convite...

O mini-tour europeu encontrou oportunidade a partir de um convite de casamento feito por um amigo nosso , inglês, que hospedamos, em 2003, no nosso pequeno apartamento, localizado numa cidade satélite de Brasília. Esta desinteressada gentileza frutificou em duas maravilhosas viagens que fizemos à Europa, uma em 2006, que ainda postarei, e a que relato agora, ocorrida em 2010.

Além das informações triviais, registramos impressões e sentimentos, acerca dos lugares e pessoas que conhecemos. Espero que este texto incite o espírito aventureito para lugares inusitados, bem como sobre o valor da amizade, mesmo aquelas do outro lado do atlântico , do mediterrâneo, etc .

  • A fim de resguardar a privacidade de nossos amigos, usaremos nomes fictícios. A letra L nomeará a moeda libra e a E o euro.



LONDRES: 07 a 14 de setembro.

Imigração e hospedagem ao estilo Inglês

Saímos de Brasília no dia 06 de setembro, perdendo a festa de aniversário de uma grande amiga, mas acho que ela entendeu o motivo rsrs. Fomos pela Tam (www.tam.com.br) pagando uma média de 2.300 reais, pelo trajeto de ida e volta. Achamos o serviço de bordo fraco. Ainda prefiro a Air France. Depois de 11 horas de vôo, chegamos em Londres e fomos passar pela desagradável imigração. As perguntas corriqueiras feitas por eles são: O que vieram fazer aqui, onde e quanto tempo ficarão. Quando falei que estava indo para um casamento, o agente me perguntou porque ficaria tanto tempo na Europa, se iria apenas para um casamento. Quando expliquei que viajaria para outros lugares, ele me pediu provas. Orgulhosamente, puxei minha pastinha de dentro da mochila, com todos os meus vouchers e documentos que comprovavam o que dizia. Por fim, o rapaz da imigração foi tão simpático que ainda me disse que a academia de polícia, que ele freqüentara, ficava no mesmo bairro em que ficaríamos em Londres.

Passado este mal necessário, seguimos para a central de ônibus, pegando o de numero 111, no valor de 4 libras. Descemos em Hamptom, bairro de nosso amigo, Aydan, onde sua futura esposa, Sarah, já nos aguardava. Eles já moravam juntos e tinham duas filhinhas, lindas!

A casa dele era linda, clean, moderna e muito funcional. Já na entrada, tivemos que tirar o sapato tendo, inclusive, um carpete recortado no piso de madeira, para delimitar o local de deixá-los. Eu não entendo porque tirar os sapatos para entrar na casa dos outros tem que ser um tabu no Brasil. A gente fica tão mais confortável...No primeiro pavimento, ficava a sala de TV, biblioteca, cozinha, sala de jantar e jardim. No segundo pavimento, os três quartos da família com banheiro social e suíte e, por fim, no terceiro, apenas nossos aposentos! Uma suíte com toda privacidade e conforto: uma king size, um carpeto fofinho pra proteger do frio, banheiro privativo e o céu, visto pelo pedacinho do teto de vidro, que dava abertura para o telhado, como se fosse um sótão ou algo parecido. Jenna nos preparou um delicioso jantar: frango assado com legumes. Eles assam todos os legumes, junto com o frango, com casca e tudo, mas fica uma delícia. Lembro-me de pimentão, abóbora e batata

Depois do jantar, fomos entregar os presentes: brincos para as meninas, camisa do Flamengo oficial para ele, livro com fotos do Brasil para ela e, por fim, como presente de casamento, uma rede confeccionada por índios no Brasil. Infelizmente, quando meu amigo abriu a rede, ela já estava soltando uma das amarras que dão sustentação. Fiquei hiper envergonhada. Devia ter conferido se o presente estava em bom estado, em especial quando chegou da lavanderia. Vexame à parte, fomos dormir. Afinal, Londres nos aguardava!

O bairro de Hamptom, Kingston, atrações turísticas, comida e compras!!!

De manhã, fomos correr e pudemos ter noção do especialíssimo local em que estávamos. As casas são lindas, feitas com tijolo à mostra, com portas brancas. As ruas são limpas e organizadas, com muito verde. Pude perceber vários parques , sem falar no Rio Tamise, que sempre ressurgia nas esquinas que dobrávamos. Há calçadas para pedestres, mas os carros passam bem rente ao meio fio. Eu apenas pisei no asfalto para desviar de uma senhora e quase fui atropelada, me esquecendo que eles dirigem pelo lado direito. O motorista quis me matar, mas com toda educação, disse que não morava ali e ficou tudo bem.


Depois da corrida , fomos para Kingstown. Um bairro de compras. No caminho, nem pude acreditar quando passamos pela palácio do Henrique VIII, Hampton Court! Não deu pra segurar a emoção! Que lugar lindo! Toda a área externa era aberta ao publico, incluindo os jardins. A gente gostava de ir andando para Kingston, só para poder para no palácio e usar o banheiro, que era pra lá de bom .

Por fim, chegamos a Kingstown, paraíso de compras e gastronomia. Quem pensa que a Europa é caríssima está enganado. É só saber andar e sair do circuito turístico. Ritualmente, íamos a Primark (www.primark.co.uk), que eu amo para comprar roupa básica. Pra ter uma idéia, comprei um moletom completo, que aqui, na Hering, só a blusa custa 90 reais, por 8 L, o equivalente a 24 reais. As camisetas básicas, brancas e de toda cor, saíam por menos de 3 L. O cachecol por 3, 50! Ainda, fui à TK Max (www.tkmaxx.com) um tipo de outlet do outlet, que vende roupas, cosméticos ,artigos para casa e decoração, tudo de grifes caras. Achei as lojas dos Estados Unidos, do mesmo estilo, melhores, mas comprei um secador digital por 20 L, mais ou menos 60 reais, sem falar nos cremes da Bed Headed que custavam 5 L. Outra loja que nos esbaldamos foi a Sports Direct ( www.sportsdirect.com ). Comprei um Asics dos caros por 60 L, mais ou menos 180 reais. Agasalhos por 12 L e por aí vai. Tem ainda a loja Bentals ( www.bentals.co.uk ), bem mais cara, mas que vende muita coisa legal. Em Kingstown achamos até uma igreja batista!

Voltando pra casa, Sarah nos esperava com um jantar: fagitas, uma comida mexicana feita com frango, molho de tomate e sour cream ( parece um creme de leite requeijão). Ainda tinha cole slaw ( uhhh, salada de cenoura com repolho e molho) . A mãe dela estava presente e nos comprometemos a preparar uma feijoada, no sábado. Que responsabilidade!

No outro dia, fomos comprar os produtos da feijoada. Como transporte, optamos pelo Day Pass, que é um ticket de 7 L ( mais ou menos 21 reais), onde você roda Londres todinha, embarcando quantas vezes quiser, tanto em ônibus como em trens , de 6 horas da manhã até 1 da madrugada! Hampton fica longe do centro , então valeu muito à pena! Se não usar o Day pass você vai pagar,por cada trajeto, uma média de 4 libras (www.londonpass.com/london-transport) .

Descemos na Victoria Station, uma das mais tradicionais. Compramos os produtos da feijoada em uma loja portuguesa, Delícias de Portugal (End: 43 Warwich Way- Wandsworth Road- Ficava perto da estação Vitoria, no fim da rua). Gastamos 21 L com lingüiça estranha , que até hoje não sei se era paio ou calabresa ( era vermelha e soltava água vermelha), e também outra tipo chouriço; bacon; pé de porco; carne seca. O feijão, a farinha e a cachaça já haviam sido tragos por nós, do Brasil.

Almoçamos na rua, pagando mais ou menos 5 L, por uma comida tipo chinesa, na estação mesmo. Por falar a estação Vitoria parece um Shopping! Tinha loja da Swatch ( www.swatch.co.uk ), com os relógios do mesmo preço dos Estados Unidos, ou seja, um terço do preço cobrado no Brasil. Pra ter uma idéia, um relógio que custava 700 reais no Brasil, saiu por 300. Ainda, passei na Lush ( www.lush.co.uk ), uma loja que vende sabonetes artesanais, da Inglaterra mesmo, que dá vontade de comer. Tem até xampu em barra, pra ter uma idéia. Gastei 18 L lá, muito mais barato do que gastaria em similares que tem no Brasil, com qualidade inferior de produtos.

Passadas as compras, fomos aproveitar o centro. Passamos pelo palácio de Buckham, tiramos fotos nos monumentos vitorianos, pegamos a tradicional chuva no Hide Park e terminamos o dia no London Eye, pagando o valor de 17,5 L pelo passeio. Valeu a pena: Londres é linda, também de cima. Entretanto, sem querer ser patriota, ainda prefiro a vista do Cristo Redentor.

No outro dia, fomos a Kingstown, repetindo o ritual: ir a pé, para passar pelos jardins de Hampton Court, passar pela paisagem do Rio Tamise ver as casas.


Tinha um ponto em especial que eu gostava de ver, que era um bar chamado Cardinal Wolsey. Este cardeal fora um dos primeiros conselheiros do rei Henrique VIII e um dos primeiros a ter fim trágico. Eu fiquei tão impressionado com a história deste monarca que, inclusive, até escrevi um texto sobre adoção inspirado na historia dele. Na verdade, para mim, o barato de Londres era ver os lugares históricos que estudara. Em Hampton tinham casas tombadas que diziam: Sir fulano morou aqui... Sempre fazendo referencias a pessoas ilustres do passado. Quando criança, meus pais me presentearam com uma coletânea de livros chamada “O mundo da Criança”. Eu amava o volume “lugares a conhecer”. Agora, em Loco, eu podia me emocionar por vivenciar aqueles lugares especiais do livro que, na época, jamais imaginara conhecer. Realmente, Deus faz muito mais do que sonhamos e imaginamos.

Em Kingstown, o ritual de pra passear nas lojas e comprar coisa barata se repeitia. A novidade foi encontrar um restaurante turco: o Cappadoccia (www.cappadociarestaurant.co.uk) . Era mais caro que o usual, uma média de 13 a 15 libras, mas valia à pena. Eu sempre pedia o menu do dia. A porção era bastante farta e tinha muito churrasco. Tinha um picadinho de cordeiro, também delicioso! Eu achava que tinha achado o melhor restaurante de Kingstown. Ledo engano. Mesmo rodando aquele bairro, de cima a baixo, nada mais seguro do que alguém, nativo, para indicar aquele lugarzinho especial que só sabe quem mora. No sábado, nosso casal de amigos nos levou para almoçar no descoladíssimo Carluccios (www.carluccios.com ).

Um restaurante italiano agradabilíssimo, reservado e muito bem freqüentado. A média de preço era parecido com o do Capadoccia. Quando for à Inglaterra, tenham o prazer de comer no Carluccios. Ele tem em vários bairros de Londres e do reino Unido. É só procurar no site. O bom é que a maioria dos restaurantes já deixa o Menu on line e, assim, a gente, antes de ir, tem como ou não, dinheiro para pagar a conta.

Ao final do dia, a esposa do nosso amigo, sempre nos esperava com algo para jantar. Reconhecemos que deve ter sido duro para ela, ter que cuidar de duas crianças, organizar casamento e ainda nos receber. Ficamos e somos, ainda, muito gratos.

Feijoada’s Day

Dia da feijoada e almoço marcado pra 13 horas! Quebramos o protocolo porque inglês gosta de jantar, mas a galera tava curiosa pra saber que comida era aquela. Como convidados tivemos a família da noiva: mãe, amiga de infância da mãe e o irmão. Da parte do nosso amigo, apenas ele e as meninas. O resto da família já estava na Grécia, organizando o casamento.

Começamos cedo. O feijão ficou de molho e, como não tinha panela de pressão, foi cozido aos poucos mesmo. O Flávio me ajudou em tudo! Ficou do meu lado, cortando cebola, lavando a louça... Um verdadeiro gentleman. Nestas horas a gente agradece muito a Deus em ter uma pessoa tão especial do nosso lado. Pra fechar com chave de ouro, ainda, atuou de barman, já que a caipirinha não podia faltar.. Seguindo a receita de um amigo nosso, usou cachaça 51 mesmo! Adicionando açúcar, gelo e limão.

Enquanto isto, eu cuidava da feijoada. Uma das lingüiças portuguesas era “vermelhona” e soltava um caldo da mesma cor na feijoada. Parecia que tínhamos botado corante. O pé de porco era tipo defumado, mas como não estava salgado parecia ter um cheiro meio estranho. Ainda bem que os detalhes não interferiram no sabor: ficou uma delícia! Tinha laranja, algo parecido com couve, farofinha de cebola, arroz tio João ( levamos do Brasil) e a feijoada! Antes do banquete, agradecemos a Deus e a eles por nos receberem com tanto carinho. O agradecimento foi retribuído com entusiasmo. Apesar da comida ser tão peculiar, penso que gostaram. Com exceção da noiva, todo mundo repetiu! Ao final, de sobremesa, banana flambada , ao molho de laranja, com sorvete de creme. Fechamos com chave de ouro!

Depois, fiquei conversando com a mãe da noiva e sua amiga sobre o Brasil, minha casa, minha vida, etc. Elas foram muito gentis e me ensinaram como faria para chegar a estação de Eustou, já que , partindo dela, iríamos para Liverpool, terra dos Beatles.